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Entrevista à escritora brasileira Luciane Recieri & Godoi
L.R. - Meu gênero literário preferido é a crônica. Peguei esta doença "crônica" do Rubem Braga e depois descobri que não é um gênero recomendável a quem almeja a posteridade, portanto, pra que pensar em glórias futuras? – É fruto da minha imaginação ou nos textos estão quase sempre presentes: teu pai, o Che e Jesus Cristo? - Quando tento fazer uma reflexão sobre a figura masculina são estes três personagens que me vêm, são figuras emblemáticas pra mim. Meus personagens encarnam a figura do proletário (pai); do herói (Che) e do libertador (Jesus). O pai representa todos os pais do mundo; o herói aquele que, verdadeiramente nos dá ânimo para a luta e nos tira a carência de sonhos; o libertador o que indica a nova primavera. Personagens como estes não exercem fascínio sobre os leitores. Estamos acostumados a escritores classe média que enfocam mais o vagabundo ao trabalhador, os anti-heróis aos protagonistas da História e um Cristo simbólico, não um líder que indica a "nova primavera", um movimento profundo de mudança de ordem social e política. – Tuas histórias são contemporâneas, porém, arrancam da infância e se desenvolvem até o presente, sem se preocupar demais com o futuro. O tema é uma máscara para uma manifestação autobiográfica? - Escrevo a partir da infância. O que projetei para mim enquanto criança, o que desejei romper num futuro que cheguei, passei e continuo passando. Coloquei-me no presente numa situação crítica, provocando a mudança do meu olhar e a possibilidade da transformação no futuro? Segundo Piaget, a autobiografia nada mais é que uma idéia pessoal, uma tentativa de se expressar de várias maneiras através da própria vida, mesmo sem conseguir sucesso entre os leitores, apenas levando o autor a se compreender melhor. Meus temas são, sem máscaras, autobiográficos. - Te rebelas sempre com o Sistema, com as Instituições, teus personagens são vítimas do Modelo Social, tu também? - Todos nós somos vítimas do sistema, apenas em posições diferentes: uns gostam de serem vítimas, outros nem tanto, mas são pela ordem e não lhes agrada dar Ibope; alguns em contrapartida odeiam estar presos a um todo. Estou entre estes do contrapeso e que ainda dão Ibope. [De Ibope, Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.] – Em que patamar estão hoje a literatura brasileira e a comunicação cultural e social? - Acredito na capacidade de a literatura modificar o pensar. Depois do primeiro livro lido inteiro a gente não é mais o mesmo. Se torna co-autor das idéias propostas e me parece que se tem o dever de botá-las pra andar. Sobre patamares, acredito que a Literatura e a Comunicação Social e Cultural estão nos mais altos e largos. Penso que faltam leitores e não sei como despertar um jovem pra isso. Vem enraizado que leitura é coisa detestável. Mudar a consciência na idade adulta me parece quase impossível. Quando se põe em questão a falta de leitores a resposta é sempre de que livros e revistas são caros. Hoje, por exemplo em São Paulo e no Rio de Janeiro, se compra por R$3,00 uma revista como a Ocas", publicada pela Organização Civil de Ação Social (OCAS), e ainda tem como objetivo a reinserção social de pessoas em situação de rua. - Que pode estimular a um/a jovem para dedicar tempo à construção literária? Vale a pena? - No meu caso foi um punhado de gente que achou que eu era escritora, daí não podia mais voltar atrás e dizer que não era, mas como achasse coisa muito pesada, consultei o Machado de Assis acerca de tão importante profissão. Machado me respondeu assim: "O que se deve exigir do escritor, antes de tudo, é certo sentimento íntimo, que o torne homem do seu tempo e do seu país, ainda quando trate de assuntos remotos no tempo e no espaço." Depois disso, aceitei a nomeação. Crítica, "Notícia da atual Literatura Brasileira - instituto de nacionalidade", p.804. - Aonde levam as antigas ferrovias do Vale do Paraíba? - "Elas já não levam a lugar algum. Começaram a sepultar as ferrovias lá no governo Juscelino Kubistchek, mas foi tão devagar que o povo nem notou o passar do corso. Os empresários do transporte rodoviário e as indústrias automobilísticas foram impedindo sua preservação e isso não é porque eles são tão malvados é porque somos subserventes aos interesses das grandes potências, principalmente dos EUA. Lá o ter funciona pra turismo. Aqui? Nem mesmo servem pra transporte de carga. E assim continua a saga de sepultar o Brasil, favorecendo outras bandeiras." (e isso quem me disse foi Felinto, 78 anos, aposentado na FNV - Fábrica Nacional de Vagões localizada em Cruzeiro, Vale do Paraíba / SP ) Paulista, magra, incrédula de sua qualidade para dizer através das letras. Escritora por caso, não por acaso. Educadora formal e informal. Historiadora informal, cronista informal, escritora formal e informal. Erudita em povo, povaréu, massa suada, chicoteada do Brasil multi-mestiço. Luciane tem me promovido a grande alegria da leitura, da parceria à distância na labuta político-literária, hoje da entrevista. Multiplamente hábil para desenhar a frase densa e ágil, intensa e suave, Luciane Recieri & Godoi, ganhou a primeira edição do Prêmio Volódia Teitelboim de Literatura e Comunicação, do Portal Desacato – www.desacato.info em setembro de 2008. Palavras que vêem dos trilhos
Entrevista a Luciane Recieri & Godoi -¿Es fruto de mi imaginación o
es verdad que en tus textos están casi siempre presentes: tu
papá, el Che y Jesucristo; a veces explícitos y habitualmente
implícitos? Tus historias son contemporáneas, sin embargo,
arrancan desde la infancia y se desarrollan hasta el presente sin preocuparse
demasiado por el futuro.
Paulista, flaca, incrédula de su calidad para decir a través de las letras. Escritora por caso, no por acaso. Educadora formal e informal. Historiadora informal, cronista informal, escritora formal e informal. Erudita en pueblo, poblazo, masa sudada, golpeada del Brasil multimestizo. Luciane me ha promovido la gran alegría de la lectura, de la asociación a distancia en el laburo político-literario, hoy de la entrevista. Múltiplemente hábil para dibujar la frase densa y ágil, intensa y suave, Luciane Recieri & Godoi, ganó la primera edición del Premio Volódia Teitelboim de Literatura y Comunicación, del Portal Desacato – www.desacato.info en septiembre de 2008. Palabras que vienen de las vías
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-Te presentás en una cruzada de rebeldías
contra el Sistema, contra las Instituciones, tus personajes suelen ser víctimas
del Modelo Social; ¿vos también sos víctima?
-Todos nosotros somos víctimas del sistema, apenas en posiciones diferentes:
a unos
les gusta ser víctimas, a otros no tanto, pero están a favor
del orden y no les agrada dar rating; algunos en contrapartida detestan estar
presos a un todo. Me encuentro entre estos del contrapeso y que todavía
dan rating.
-¿En qué nivel están hoy la literatura
brasileña y la comunicación cultural y social del país?
-Creo en la capacidad de la literatura de cambiar el pensar. Después
del
primer libro leído entero uno no es más la misma persona. Se
transforma en coautor de las ideas propuestas y me parece que uno tiene el
deber de ponerlas a caminar. Sobre niveles, creo que la Literatura y la Comunicación
Social y Cultural están en los más altos y amplios. Pienso que
faltan lectores y no sé cómo se hace para despertar a un joven
para eso. Ya viene arraigado que la lectura es algo detestable. Cambiar la
conciencia en la edad adulta me parece casi imposible. Cuando se cuestiona
la falta de lectores la respuesta es siempre de que libros y revistas son
caros. Hoy, por ejemplo, en São Paulo en Río de Janeiro se compra
por R$3,00 (un dólar y medio) una revista como la ¨Ocas",
publicada por la Organización Civil de Acción Social (OCAS),
y aún tiene como objetivo la reinserción social de personas
en situación de calle.
-¿Qué puede estimular a una joven brasileña
para dedicar su tiempo a la construcción literaria? ¿Será
que vale la pena?
-Fue un puñado de gente que pensó que yo era escritora, y ahí
no podía volver atrás y decir que no lo era, pero como esto
me parecía muy pesado, consulté a Machado de Assis sobre tan
importante profesión. Machado me contestó así: "Lo
que se debe exigir del escritor, antes que nada, es cierto sentimiento íntimo,
que lo convierta en hombre de su tiempo y de su país, aun cuando trate
de temas remotos en el tiempo y en el espacio." Después de eso,
acepté la nominación.
Crítica, "Noticia de la actual Literatura Brasileña - Instituto
de
Nacionalidad"
-¿A dónde te llevan las vías viejas del Valle del
Paraíba?
-¿A dónde me llevan las vías viejas del Valle del Paraíba?
Ellas ya no llevan a ningún lugar. Empezaron a sepultar las vías
en el gobierno de Juscelino Kubitscek, pero fue tan lento que la gente ni
notó el corso pasar. Los empresarios del transporte y las industrias
automovilísticas fueron impidiendo su preservación y eso no
es porque son tan malvados, es porque nos sometemos a los intereses de las
grandes potencias, principalmente de los EE.UU. Allá el tren funciona
para turismo. ¿Aquí? Ni siquiera para transporte de carga. Y
así continúa la saga de sepultar Brasil, favoreciendo otras
banderas.
(Y eso quien me lo dijo fue Felinto, 78 años, jubilado de FNV - Fábrica
Nacional de Vagones localizada en Cruzeiro, Vale del Paraíba / SP).
Traducción: Tali Feld Gleiser - Portal Desacato
Fotos gentileza Portal Desacato
.
www.desacato.info
Luciane Recieri de Godoy nació en Poá,
São Paulo o, en 1968. En la actualidad vive como educadora en comunidades
alejadas de los centros urbanos y dice que aprende mucho más de lo
que enseña.