Sobre a entrevistada: Elaine Tavares, jornalista
e pesquisadora no IELA/UFSC, é gaúcha nascida em Uruguaiana,
Rio Grande do Sul. Viveu sua infância em São Borja, na
barranca do rio Uruguai e, depois, foi virar mulher às margens
do "Velho Chico", em Pirapora, Minas Gerais. Das heranças
ribeirinhas que amealhou, estão a paixão pela vida dos
que andam nas estradas secundárias e o amor pela narração
das histórias. Contar das gentes tem sido sua sina. Vivendo em
Florianópolis desde 1987, também aprendeu com o mar que,
às vezes, é preciso se jogar barulhento nos penhascos
para capturar a beleza de se ser quem se é.
Míriam Santini
de Abreu sobre el libro de Elaine Tavares
Lamás Médula: Existe o Jornalismo Objetivo, Imparcial
e Asséptico?
Elaine Tavares: Não, é um mito, uma impostura.
Objetivo é o fato em si. Exemplo: alguém morreu. Agora,
como tu vais contar essa morte acaba passando por toda a subjetividade
do narrador. Como o jornalismo é, em última análise
o resultado desta narração, ele estará carregado
desta bagagem do olhar que vê e narra. Adelmo Genro, no seu livro
O Segredo da Pirâmide, deixa isso muito claro. O jornalista é
um ser humano, cheio de pré-conceitos, o que ele pode fazer é
buscar o maior numero de fontes, o maior número de angulos de
um dado fato. E, no mundo capitalista, mergulhado na guerra de classe,
é fundamental que o jornalista se comprometa. O jornalista, não
o jornalismo, porque este, enfim, não é um ente. Mas o
jornalista pode e deve estar comprometido com a comunidade das vítimas
do sistema.
LM: Como foi se armando teu perfil de jornalista e escritora
militante?
E.T: Na vida mesma, nesta batalha do dia a dia que
é fazer jornalismo, contar histórias. Filha de radialista
praticamente nasci dentro deste mundo. E, desde pequena estive ligada
ao mundo da comunidade das vítimas. Meu pai trabalhava na rádio
que era do Jango (João Goulart, presidente que sofreu o golpe
em 64), vivemos o terror da ditadura. Muito
jovem eu já andava por aí contando histórias que
ninguém contava, então, foi uma consequencia natural.
narrar o que não se narra, dizer o que não se diz, mostrar
o que não se mostra. Trabalhei nas catacumbas mas também
atuei na grande mídia, como a RBS no RGS. Mas, como digo no meu
livro "Jornalismo nas margens", o lance não está
onde tu fazer jornalismo, mas nos teus olhos. O que tu vê???
LM: Qual é o papel do escritor/a
e do/a jornalista frente aos monopólios editoriais e da comunicação?
E.T: É o papel de um lutador permanente contra
isso. As pessoas têm o direito inalienável a informação,
mas não do pensamento único. Elas precisam ter várias
fontes, vários pontos de vista. Com o monopólio é
ditadura. A pessoa fica exposta ao que Ludovico Silva chama de mais-valia
ideológica. Bombardeada pelo pensamento único, pela propaganda
do sistema, a pessoa se aliena ainda mais, não só no trabalho,
mas também nos seus momentos de lazer.
LM: Cumprem a maioria dos
escritores e jornalistas esse papel?
E.T: Infelizmente não, boa parte é serviçal,
cortesã do poder. Por isso o mundo está como está.
Somos poucos.. bravos, valentes, mas poucos. Mas veja bem, ainda assim
fazemos um barulho danado e conseguimos conquistar uma coisa ou outra.
Mas, sem ilusões. Ou construímos o socialismo ou nada
muda. Não basta "humanizar o capital". Há que
destruí-lo e aí fazemos como o caracol: devagar, devagar,
subimos o monte Fuji.
LM: Por quê?
E.T: Porque não conseguem, por inúmeras
razões, fugir do canto da sereia do capital. Ou é para
dar vida melhor aos seus, ou é porque acreditam no sistema. Alguns
até têm motivos nobres, mas, enfim, acabam sendo nossos
algozes.
LM: Há diferenças de comportamento no
âmbito do jornalismo e da literatura no resto da América
Latina, se comparamos com o comportamento do Brasil?
E.T: Já houve mais, mas agora não sei...
talvez nos lugares onde se está construindo novas formas de organizar
a vida como a Venezuela, com a soberania comunicacional, na Bolívia
com a revolução cultural, no Equador, com a revolução
cidadã. Mas é preciso acompanhar isso mais de perto, vê
se há mudanças significativas de verdade. Na Venezuela,
por exemplo, os jornalistas estão na retaguarda. Há que
dar mais tempo.
LM: Teu último livro "Porque
é preciso romper cercas", tem um forte conteúdo autobiográfico,
porém, parece-me que há uma mensagem muito clara para
os novos escritores e jornalistas. É assim?
E.T: É um contar das minhas escolhas e é
claro , recheado de desejo que as escolhas dos jornalistas sejam como
as minhas. Mas é só desejo. Essa coisa de se comprometer
com a comunidade das vítimas, de narrar o que não se diz,
de andar pelas estradas secundárias, não é coisa
fácil. Exige muito da gente, exige entrega, sacrifício,
essa coisa guevariana que não está muito na moda (risos).
Mas eu, apesar de reconhecer muitas falhas no querido comandante, ainda
acredito que é pelo exemplo que se muda o mundo e como dizia
el Che: temos de almejar a perfeição, em casa, no trabalho,
no amor, na vida... e para isso temos de nos entregar. Assim é
no jornalismo.
LM: Que caminho devemos transitar para obter
a Soberania Comunicacional?
Luta, luta e luta, mas fundamentalmente mudar
a forma de organizar a vida. No mundo capitalista isso não é
possível. Há que construir o socialismo ou algo similar.
Só aí as pessoas poderão ter acesso ás informações,
as mais variadas visões, e também poderão produzi-las...
sem amarras... Portanto, vamos em frente que esse amanhã tem
que chegar já...
Raúl Fitipaldi y um
abrazo masmedular a Elaine Tavares
SOBRE ELAINE TAVARES: periodista e investigadora en
el IELA – Instituto de Estudios Latino-Americanos/UFSC, es gaucha,
nacida en Uruguayana, Río Grande del Sur. Vivió su infancia
en San Borja, en la barranca del río Uruguay y, después,
fue a transformarse en mujer a las márgenes del “Velho
Chico”, en Pirapora, Minas Gerais. De las herencias ribereñas
que juntó, están la pasión por la vida de los que
andan en los caminos secundarios y el amor por la narración de
historias. Contar de las gentes ha sido su usina. Viviendo en Florianópolis
desde 1987, también aprendió con el mar que, a veces,
es preciso tirarse barullento en los peñascos para capturar la
belleza de ser quien se es.
LA ENTREVISTA
Lamás Médula: ¿Existe el Periodismo Objetivo, Imparcial
y Aséptico?
Elaine Tavares: No, es un mito, una impostura. Objetivo
es el hecho en sí. Ejemplo: alguien murió. Ahora, como
tú vas a contar esa muerte, acaba pasando por toda la subjetividad
del narrador. Como el periodismo es, en último análisis,
el resultado de esta narración, él estará cargado
de este bagaje de miradas que ve y narra. Adelmo Genro, en su libro
El Secreto de la Pirámide, deja eso muy claro. El periodista
es un ser humano, lleno de prejuicios, lo que él puede hacer
es buscar el mayor número de fuentes, el mayor número
de ángulos de un determinado hecho. Y, en el mundo capitalista,
zambullido en la guerra de clases, es fundamental que el periodista
se comprometa. El periodista, no el periodismo, porque éste no
es un ente. Pero el periodista puede y debe estar comprometido con la
comunidad de las víctimas del sistema.
LM: ¿Cómo se fue armando
tu perfil de periodista y escritora militante?
E.T.: En la propia vida, en esta
batalla del día a día que es hacer periodismo, contar
historias. Hija de hombre de la radio, prácticamente nací
dentro de este mundo. Y desde pequeña estuve vinculada al mundo
de la comunidad de víctimas. Mi padre trabajaba en la radio que
era de Jango (João Goulart, presidente que sufrió el golpe
de estado en 1964); vivimos el terror de la dictadura. Muy joven, yo
ya andaba por ahí contando historias que nadie contaba, entonces,
fue una consecuencia natural, narrar lo que no se narra, decir lo que
no se dice, mostrar lo que no se muestra. Trabajé en las catacumbas,
pero también actué en la media grande, como la Red Brasil
Sur (RBS) en Río Grande del Sur. Pero, como digo en mi libro
Periodismo en los márgenes, el asunto no está en dónde
tú vas a hacer periodismo, sino en tus ojos. ¿Qué
es lo que tú ves???
LM: ¿Cuál es el papel del escritor/a
y del/a periodista frente a los monopolios editoriales y de la comunicación?
E.T.: Es el papel de un luchador permanente contra
eso. Las personas tienen el derecho inalienable a la información,
pero no del pensamiento único. Ellas necesitan tener varias fuentes,
varios puntos de vista. Con el monopolio es la dictadura. La persona
queda expuesta a lo que Ludovico Silva llama de más-valía
ideológica. Bombardeada por el pensamiento único, por
la propaganda del sistema, la persona se aliena aún más,
no sólo en el trabajo, sino también en sus momentos de
esparcimiento.
LM: ¿Cumplen la mayoría de
los escritores y periodistas ese papel?
E.T. Infelizmente no, buena parte
es servicial, cortesana del poder. Por eso el mundo está como
está. Somos pocos… bravos, valientes, pero pocos. Pero
mira bien, aún así hacemos un barullo del diablo y logramos
conquistar una cosa u otra. Pero, sin ilusiones. O construimos el socialismo
o nada cambia. No basta “humanizar el capital”. Hay que
destruirlo y ahí hacemos como el caracol: despacito, despacito,
subimos al monte Fuji.
LM: ¿Por qué?
E.T.: Porque no logran, por innumerables razones, huir
del canto de sirena del capital. O es para darle una vida mejor a los
suyos, o es porque creen en el sistema. Algunos hasta tienen motivos
nobles, pero, en fin, acaban siendo nuestros verdugos.
LM: ¿Hay diferencias de comportamiento en el
ámbito del periodismo y de la literatura en el resto de América
Latina, si comparamos con el comportamiento de Brasil?
E.T.: Ya hubo más,
pero ahora no sé… tal vez en los lugares donde se están
construyendo nuevas formas de organizar la vida como en Venezuela, con
la soberanía comunicacional, en Bolivia con la revolución
cultural, en Ecuador, con la revolución ciudadana. Pero es necesario
acompañar eso de más cerca, ver si hay cambios significativos
de verdad. En Venezuela, por ejemplo, los periodistas están en
la retaguardia. Hay que dar más tiempo.
Elaine Tavares lee Porque es preciso romper
cercas
LM: Tu último libro Porque es preciso
romper cercas, tiene un fuerte contenido autobiográfico, sin
embargo, me parece que hay un mensaje muy claro para los nuevos escritores
y periodistas. ¿Es así?
E.T: Es un contar de mis elecciones
y es claro, rellenado de deseo de que las elecciones de los periodistas
sean como las mías. Pero es sólo deseo. Esa cosa de comprometerse
con la comunidad de las víctimas, de narrar lo que no se dice,
de andar por los caminos secundarios, no es cosa fácil. Exige
mucho de uno, exige entrega, sacrificio, esa cosa guevarista que está
muy de moda (risas). Pero yo, a pesar de reconocer muchas fallas en
el querido comandante, aún creo que es por el ejemplo que se
cambia el mundo y como decía el Che: tenemos que aspirar a la
perfección, en casa, en el trabajo, en la vida… y para
eso tenemos que entregarnos. Así es en el periodismo.
LM: ¿Qué camino debemos transitar para obtener
la Soberanía Comunicacional?
Lucha, lucha y lucha, pero fundamentalmente
cambiar la forma de organizar la vida. En el mundo capitalista eso no
es posible. Hay que construir el socialismo o algo similar. Sólo
ahí las personas podrán tener acceso a las informaciones,
las más variadas visiones, y también podrán producirlas…
sin amarras… Por lo tanto, vamos adelante que ese mañana
tiene que llegar ya…
Raúl Fitipaldi y un
abrazo masmedular con Elaine Tavares